Narciso (experiência noturna)


A primeira coisa a se fazer era trocar de roupa. Ótimo, continuo com a mesma de ontem. Então liga o telefone, faça aqueles contatos rápidos, sai de casa. O caminho era encontrar os amigos e ir pra algum lugar onde ninguém conhece ninguém, só nós ali mesmo, quase em bando. Festa na cobertura de um prédio de 19 andares. Pessoas desconhecidas, esse mundo já estava ficando meio hippie, woodstock, barracas, maconha. A comida deveria estar batizada também. O efeito não era nem de alegria, era de uma empolgação súbita, talvez como nos velhos tempos. As brincadeiras já eram conhecidas, eu não me importava mais, gostava de fazer um som, cantar umas musicas de rap doidas e sair andando. O que mudava no dia de hoje era a teoria, já estava cansado das mesmas coisas, dessa velha rotina, desses velhos tempos em um curto prazo, essas mudanças que não chegavam em lugar nenhum. O jeito era botar um foda-se bem grande. Obviamente isso era desculpa, mas eu disse que queria e não mudo de idéia tão fácil. Só quando eu não quero mais, aí eu jogo a hora pra coragem, essa é a pior falta que faz.

Eu não te disse que traria flores, não te prometi nada. Mas isso não quer dizer que um belo dia eu apareça na sua porta com um buque debaixo do braço e o cigarro na mão. Você dizia que essa combinação não funcionava, por isso resolvi tentar. Dim dom.

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