Impala (carta de saida)


Não era coisa pra se falar, mas eu gostava de falar, ou gostava de me fazer de vitima. Mas
independente disso, doía, doía demais, e eu nem precisava saber dos motivos certos, talvez fosse uma autodestruição precoce. Por que ele não podia ler meu manual? E eu me doava, porque não podia pedir nada em troca, mas como se faz pra resolver essa infelicidade? O tempo me tornaria algum dia sem emoção, e assim eu não sentiria mais nada. A gente resolvia na cama, mas a cama já havia perdido o gosto, acho que hoje eu não quero mais, quero só um colo e um cigarro, talvez uma boa dose de conhaque pra acabar de vez com essa amargura. Eu quero alguém que faça alguma coisa bonita pra mim e que faca só por mim. Acho que hoje não quero mais te ver, e não quero ninguém que me deixe feliz, eu quero só um colo pra eu poder chorar e dormir, amanhã talvez eu queira outras coisas, quem sabe isso passe. Mas hoje não. Não havia nenhum colo por perto, ela tentou dormir se abraçando, tentou tomar um banho pra ver se passava essa agonia, essa dor que ha dias não saia, mas afinal o que era? Falta ou excesso, martírio ou o fim? Ja não sabia mais, se trocou e resolveu ir no bar com ele, fingiu que estava bem atrás de um sorriso amarelo, deu todos os goles na bebida, fingiu assuntos engraçados, chegou em casa, transou com ele e ainda fingiu que continuava do mesmo jeito. Chorou um pouco no banheiro pra poder dormir. E antes de dormir ela rezou e rezou pra ele terminar com ela no dia seguinte.

Comentários

Seu blog mudou, gostei demais...

Saudade de vc zóião. rs

Bjão e Feliz 2012 com menos surtos existenciais e mais Felicidades! rs
Anônimo disse…
Pois é ... hou hou hou

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